terça-feira, 18 de outubro de 2005

E Deus me deu o dom da palavra.
Quando tenho que calar, falo demais.
Quando tenho que falar, fico sem palavras.
Hoje sei que o dom não é de quem acerta sempre.
Tem o dom quem sabe errar e sobretudo seguir em frente.
Pra quem não sabe errar escrever é um sofrimento.
Palavra pra mim é vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Existe paixão e paixão.
E a cada dia que passa tento aprender distinguir uma da outra.
A paixão que faz bem e a que faz mal.
Não concordo que toda paixão seja maléfica e que somente o amor seja bom.
Existe amor doentio não existe? Da mesma forma que existe a chamada paixão cega.
Sou uma pessoa movida por paixões e falar pra que eu evite isso é o mesmo que dizer pra deixar de viver.
Tenho paixão pelo que faço, paixão por escrever, paixão por viajar, paixão por conhecer pessoas novas, enfim.
E são paixões que não me fazem mal algum. Será que tudo isso na verdade é amor???
O que é o amor, afinal? Pode o amor nascer sem ter sido paixão?
E se o amor é do bem, teria como a paixão que o originou ser ruim? Pelo simples fato de se ser paixão?
Não é minha intenção responder a essas perguntas, não se engane.
A pergunta que me faço toda vez que me apaixono e pra qual sempre tenho uma resposta é: me faz bem, ou me faz mal?
Se me fizer mal, estou fora. É uma visão simplista, concordo. Mas pra que complicar?
Tenho uma vida inteira de paixões pra viver.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Você quer fazer amor e poesia. Como posso recusar?
Impossível não ficar excitada com a sonoridade das suas palavras.
Com os contos dos sonhos coloridos. Com o silêncio da noite quebrado pelo gozo.
É loucura em verso e prosa. É querer que desagua em reticências.
É a sua inspiração que se funde à minha.

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Dia chato que não passa.
Fecho os olhos. Abro. Não passa.
Abro a boca. Bocejo. Não passa.
Vou ali. Volto. Não passa.
Escrevo. Apago. Escrevo. Não passa.
Dia bom que não chega.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Penso na vida. De pensar morreu quem não soube viver.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Nem bem aparece,
e já estou com sorriso aberto
e o bom dia na ponta da língua.
Nem bem pede um beijo,
e eu já emendo um na boca.
Se manda boa noite,
sonho noites em claro.
Se manda um cheiro,
aí que me perco
e não sei pra onde
aponta o nariz.

E você ainda quer mais?
Êta amor da minha vi.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Ontem, li você.
As palavras lidas
pareciam ditas
ao pé do ouvido.
Passaram o dia
comigo.
Foram pra cama,
deitaram ao meu lado
como se fosse você.
Suas palavras são
meu alimento,
são alento.
Suas palavras
fazem parar o tempo
como um beijo sussurrado
no lábio sedento de você.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Sinto falta das suas palavras distantes.
Do seu sotaque sem rumo.
Da sua respiração ofegante.
Do seu calor apegado.
Da sua improvável presença.
Da sua presença marcante.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Nas suas costas,
meu nome.
Na boca, sexo.
Palavras que
ungem seu corpo.
Oração profana
do meu querer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Não brinca muito não, que a vida é coisa séria.
Tem pé de moleque quebrando dente de nego.
Tem pistola de água fria apontada pra cabeça quente.
Tem caça palavra na cola de quem dá com a língua nos dentes.
Tem pedalada em cima de perna de pau.