segunda-feira, 25 de abril de 2005

Sinto a dor do vazio.
Bocas desconhecidas não me preenchem.
Palavras amigas não dizem muito.
Nada do que está acontecendo é capaz de fechar
o buraco que você deixou em mim.
Não sei mais o que sou. Nada se parece com o quero.
Não quero ser você, nem o que sou. Não quero ser ninguém.
Quero ser um bicho qualquer pra não ter que dar explicação.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Você me conhece?
Acha que sou realmente o que consta no rótulo que colaram em mim?
Que minha composição é feita de deboche, pretensão, arrogância e orgulho?
Você me conhece?
Acha que tudo o que quero é alguém que veio da minha costela
e tenha todas as minhas qualidades, conquistas e defeitos?
Você me conhece?
Sabe de onde vim e pra onde quero ir?
Você me conhece ou pensa que sou aquele que colocaram
na prateleira do supermercado?

quinta-feira, 17 de março de 2005

Cumpri o prometido. Pulei da janela da agência. Caí na página de um livro marcado por personagens estranhas, bem interessantes. Um menino que sinaliza aspas com as mãos. Um francês que toma banho. Um que pensa que inteligência é dizer: eu discordo de você. E coadjuvantes como a menina da sobrancelha delineada e unhas curtas sempre pintadas. O homem gramática normativa. O menino doce de boca fechada.
Agora, estão sobrando palavras.

segunda-feira, 7 de março de 2005

Sua presença é boca calada que diz com beijo.
É boca de beijo que diz desejo.
É boca de desejo que diz tudo
o que quero ouvir.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Descontrução do óbvio
para afirmar o diferente.

Sou o que sou.
Se não fosse não seria.
Sou o que quero.
Se não fosse o querer,
não queria.
Sou o que penso.
Se não pensasse,
emburreceria.
Sou o que mostro.
Se não fosse,
esconderia.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

As palavras estão costuradas na garganta uma a uma.
Agarradas na glote.
Quero vomitar um mundo do qual não faço parte.
Espirrar a vida que não quero pra mim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

“Não importa o que fizeram com você.
O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."

Sartre

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Gu do Angu, vc conhece o gordão que mora no viaduto da lagoinha e que anda quase pelado pela cidade toda? Ele é muito engraçado, um dia eu o vi andando peladão no meio dos carros na contorno, perto do loyola. O sinal fechou e ele também parou e ficou assim até o sinal abrir...rs.
Fizeram um grafite dele no viaduto que vai pra cidade nova, ficou muito legal.

O comentário ficou muito grande e resolvi colocar aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

-O que é isso que tá vermelho no seu rosto?
-Acho que é uma espinha que cutuquei.
-Sei.
-Que cara é essa? Você tá achando que é outra coisa?
-Imagina. Olha, meninas que usam aliança não podem cutucar a espinha.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Êta menininha obscura,
arranca os olhos das bonecas
e odeia toques polifônicos.
Bate com a cabeça no ônibus
e vai pra Europa toda roxa.
Êta menininha cabeça dura.

Êta menininha OB,
vive enfiada nunca se sabe onde,
some do trabalho e só volta quando quer.
Ser habitante de planilhas que dá pra redatora.
Êta menininha difícil de ver.

heheehe...beijo pra vc Stella Obscura, digníssima OB. Feliz aniversário.