quinta-feira, 17 de março de 2005

Cumpri o prometido. Pulei da janela da agência. Caí na página de um livro marcado por personagens estranhas, bem interessantes. Um menino que sinaliza aspas com as mãos. Um francês que toma banho. Um que pensa que inteligência é dizer: eu discordo de você. E coadjuvantes como a menina da sobrancelha delineada e unhas curtas sempre pintadas. O homem gramática normativa. O menino doce de boca fechada.
Agora, estão sobrando palavras.

segunda-feira, 7 de março de 2005

Sua presença é boca calada que diz com beijo.
É boca de beijo que diz desejo.
É boca de desejo que diz tudo
o que quero ouvir.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Descontrução do óbvio
para afirmar o diferente.

Sou o que sou.
Se não fosse não seria.
Sou o que quero.
Se não fosse o querer,
não queria.
Sou o que penso.
Se não pensasse,
emburreceria.
Sou o que mostro.
Se não fosse,
esconderia.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

As palavras estão costuradas na garganta uma a uma.
Agarradas na glote.
Quero vomitar um mundo do qual não faço parte.
Espirrar a vida que não quero pra mim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

“Não importa o que fizeram com você.
O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."

Sartre

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Gu do Angu, vc conhece o gordão que mora no viaduto da lagoinha e que anda quase pelado pela cidade toda? Ele é muito engraçado, um dia eu o vi andando peladão no meio dos carros na contorno, perto do loyola. O sinal fechou e ele também parou e ficou assim até o sinal abrir...rs.
Fizeram um grafite dele no viaduto que vai pra cidade nova, ficou muito legal.

O comentário ficou muito grande e resolvi colocar aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

-O que é isso que tá vermelho no seu rosto?
-Acho que é uma espinha que cutuquei.
-Sei.
-Que cara é essa? Você tá achando que é outra coisa?
-Imagina. Olha, meninas que usam aliança não podem cutucar a espinha.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Êta menininha obscura,
arranca os olhos das bonecas
e odeia toques polifônicos.
Bate com a cabeça no ônibus
e vai pra Europa toda roxa.
Êta menininha cabeça dura.

Êta menininha OB,
vive enfiada nunca se sabe onde,
some do trabalho e só volta quando quer.
Ser habitante de planilhas que dá pra redatora.
Êta menininha difícil de ver.

heheehe...beijo pra vc Stella Obscura, digníssima OB. Feliz aniversário.

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

Resolvi tirar do armário minha máquina de escrever portátil remington. Azul, linda. Foi com ela que comecei essa história de publicidade. Eu ficava assistindo tv com a máquina no chão e copiando as propagandas que achava legal. E batendo tudo à máquina. Eu devia ter uns doze anos.
Então, tirei a máquina do armário e não é que ela funcionou. A fita tá meio velha e a tinta fica meio apagada, o "o" é digitado abaixo da linha das outras letras e tem algum braços que agarram e tenho que destravar com a mão. Exatamente como funcionava há 20 anos.
Adoro tirar coisas do armário, qualquer dia desenterro o Arthur, o robô.
Ops, 2005 já começou. Sabe que nem parece. Acho que ainda tô com um pé no ano passado. Deve ser porque não viajei no reveillon, deve ser porque o Calendas ainda não saiu, deve ser porque ainda não fiz nada de diferente, deve ser porque...
Credo, acho que vou pintar o cabelo de rosa, casar e passar a viver de luz.
Odeio mesmice.